O que cada dieta propõe?

  • Low FODMAP: retira por algumas semanas os carboidratos que mais fermentam no intestino, como lactose, frutanos do trigo, cebola e alho, leguminosas e adoçantes do tipo sorbitol. Depois vem a reintrodução.
  • Mediterrânea: não proíbe grupos de alimentos. Aumenta azeite, peixes, verduras, frutas, leguminosas e grãos integrais e reduz ultraprocessados, carnes vermelhas e açúcar.

O que os estudos mostram?

No único estudo que comparou as duas diretamente, a dor abdominal melhorou de forma parecida, mas a low FODMAP reduziu mais a intensidade geral dos sintomas. Já quando a mediterrânea foi comparada às orientações alimentares tradicionais, as duas funcionaram bem, com leve vantagem para a mediterrânea: 62% das pessoas responderam ao tratamento, contra 42% com as orientações tradicionais.

Em outro estudo, a mediterrânea foi comparada à alimentação habitual em pessoas que também tinham sintomas de ansiedade e depressão. Os sintomas digestivos melhoraram em 83% de quem seguiu a dieta, contra 37% de quem manteve a alimentação de sempre, e os sintomas depressivos melhoraram em 62%, contra 23%.

Em análises que reúnem vários estudos, a low FODMAP aparece em primeiro lugar para sintomas globais, dor e inchaço, mas não para o hábito intestinal. Vale dizer que a certeza dessa evidência ainda é baixa: os estudos são pequenos, curtos e difíceis de cegar, porque a pessoa sabe o que está comendo.

Por que não começar direto pela low FODMAP?

Porque a primeira linha são mudanças mais simples, que já resolvem boa parte dos casos: refeições em horários regulares, porções menores, comer com calma, reduzir gordura, cafeína, álcool e alimentos muito condimentados, e observar os alimentos que mais produzem gás. A low FODMAP entra depois, quando essas medidas não bastaram.

A diferença também é prática. A low FODMAP exige leitura de rótulos, planejamento, custo maior e acompanhamento de perto, de preferência com nutricionista. Mantida sozinha por muito tempo, empobrece a alimentação sem necessidade.

A low FODMAP não é para a vida toda

A maior parte do que se sabe vem da fase de restrição, que dura poucas semanas. Depois vem a reintrodução, alimento por alimento, e a maioria das pessoas consegue voltar a comer boa parte do que tinha tirado, mantendo o controle dos sintomas. Entenda como funcionam as três fases.

Quando a dieta restritiva não é a melhor escolha?

  • histórico de transtorno alimentar ou relação difícil com a comida
  • perda de peso, risco de desnutrição ou alimentação já muito limitada
  • dificuldade de acesso ou de custo para seguir a lista de alimentos
  • quem não terá acompanhamento para fazer a reintrodução

Nesses casos, a mediterrânea costuma ser o caminho mais seguro, porque amplia a alimentação em vez de reduzi-la.

E se a dieta não resolver?

Sintomas que não melhoram merecem revisão do diagnóstico. Doença celíaca, intolerâncias alimentares e SIBO têm sintomas parecidos e tratamento próprio, e a dieta restritiva pode mascarar o quadro. Por isso a orientação alimentar faz mais sentido depois de uma avaliação, e não antes dela.

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Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação médica individual.