Quando o intestino preso é considerado constipação?

O ritmo intestinal normal varia muito: há quem evacue três vezes por dia e quem evacue três vezes por semana, sem problema. O que caracteriza a constipação é o incômodo persistente, com dois ou mais destes sinais:

  • menos de três evacuações por semana
  • esforço excessivo para evacuar
  • fezes duras, secas ou em bolinhas
  • sensação de evacuação incompleta ou de bloqueio na saída
  • necessidade de manobras manuais para conseguir evacuar

Quando esses sinais estão presentes há meses, fala-se em constipação crônica.

Quais são as causas da constipação?

Em muitos casos há mais de um fator:

  • Alimentação com pouca fibra, baixa ingestão de líquidos e sedentarismo.
  • Trânsito intestinal lento, em que o intestino se movimenta com menos força.
  • Dificuldade de coordenação dos músculos do assoalho pélvico na hora de evacuar, chamada de dissinergia defecatória.
  • Síndrome do intestino irritável com predomínio de constipação.
  • IMO, o supercrescimento de micro-organismos que produzem metano, um gás associado ao intestino mais lento.
  • Medicamentos, como alguns analgésicos (opioides), antidepressivos, anti-histamínicos, suplementos de ferro e de cálcio e as canetas de GLP-1.
  • Doenças que afetam o intestino, como hipotireoidismo, diabetes e doenças neurológicas.
  • Mais raramente, obstruções ou tumores do intestino, que costumam aparecer com sinais de alerta.

Como é feita a investigação da constipação?

A avaliação começa pela história: há quanto tempo o quadro existe, como são as fezes, se há esforço, dor ou sensação de evacuação incompleta, e quais medicamentos e suplementos são usados. Depois do exame físico, podem ser indicados:

  • Exames de sangue, como hemograma e função da tireoide, para procurar causas associadas.
  • Teste respiratório de hidrogênio e metano, quando há suspeita de IMO ou de SIBO.
  • Colonoscopia ou outros exames de imagem, quando há sinais de alerta, idade em que o rastreamento é indicado ou mudança recente do hábito intestinal.
  • Exames que avaliam o tempo de trânsito do intestino e o funcionamento do assoalho pélvico, nos casos que não respondem ao tratamento inicial.

Identificar o tipo de constipação muda o tratamento: o que ajuda em uma causa pode piorar outra.

Como a constipação é tratada?

O tratamento depende da causa e costuma combinar medidas gerais e, quando necessário, medicamentos:

  • Ajustes na alimentação, com aumento gradual de fibras e boa hidratação, quando isso faz sentido para o seu caso.
  • Atividade física regular e o hábito de reservar um tempo, sem pressa, para ir ao banheiro.
  • Laxantes escolhidos e dosados pelo médico, porque cada tipo age de um jeito e nem todos servem para todas as causas.
  • Tratamento da causa de base, como o IMO, o hipotireoidismo ou a troca de um medicamento que prende o intestino, quando for o caso.
  • Reeducação do assoalho pélvico (biofeedback), quando há dificuldade de coordenação para evacuar.

Aumentar as fibras de forma brusca, em quem tem trânsito lento ou dissinergia, pode aumentar o inchaço e o desconforto.